O manual do superatleta
Não adianta querer, é preciso poder ser um astro do esporte;

Vários superatletas escreveram seu nome na história do esporte após a Olimpíada de Pequim. Jovens pelo mundo todo tentaram seguir os passos de seus ídolos para também, em um futuro próximo, subirem no pódio olímpico. Mas qual será a fórmula para se atingir o rótulo de superatleta? Muitos são os fatores que podem ajudar a determinar se um praticante de uma modalidade será apenas “mais um” ou se tornará um astro. Estrutura física, metabolismo e aspectos neuromotores e psicológicos são alguns deles. O ambiente político-social também colabora bastante para se atingir o sucesso. Isso para não falar dos equipamentos a serem utilizados em cada disputa. É só lembrar do maiô LZR Racer, que, com forma anatômica, senso estabilizador, menor retenção de água, menos peso e mais adaptado ao corpo do atleta, ajudou muita gente a quebrar recordes mundiais na natação nos primeiros meses deste ano, assim como nas Olímpiadas. Além de tudo isso, evidentemente, conta-se com o talento nato de cada um.
O melhor caminho, o mais rápido, menos frustrante e com maior chance de sucesso é conseguir conciliar o biótipo do atleta com o esporte a ser praticado. Afinal, décimos de um segundo separam o primeiro do quarto lugar. A diferença no desempenho entre atletas de elite é absurdamente pequena. Por isso, melhor que os grandalhões sigam para o basquete e vôlei. Atarracados vão para as lutas. Aqueles que tiverem muita flexibilidade, se forem altos, vão para a natação, enquanto os baixinhos concentrarão forças na ginástica. “As exceções existem para se confirmar as regras”, afirma Victor Matsudo, diretor-geral do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs). Isso explica fenômenos como Garrincha e suas pernas tortas no futebol, o “baixinho” nadador Ricardo Prado, recordista mundial, ou o nadador negro Anthony Nest, medalha de ouro na Olimpíada de Seul, “O esporte de alto rendimento não é para quem quer, é para quem pode”, diz Matsudo.
O Celafiscs criou uma forma para a medição de talentos, chamada índice Z, reconhecida como referência como estudo pelo Comitê Olímpico Internacional. O estudo consiste em comparar os resultados de um atleta com a média da população de mesma idade e sexo. Segundo Matsudo, os superatletas Oscar, Marcel, Paula, Hortência (craques eternos do basquete) e João do Pulo (recordista mundial do salto triplo em 1975) obtiveram índices Z 99,99% melhor que a média da população, quando ainda estavam no início de carreira, demonstrando que tinham um futuro brilhante pela frente. “Para ser um superatleta não basta ser um pouquinho melhor, mas 99,99% dá para confiar. O garoto não vai apenas ser bom em competições menores. Ele vai disputar uma Olimpíada”, diz Matsudo.
Por isso, um primeiro passo seria detectar a aptidão de cada criança. Segundo Matsudo, um bom método é se aplicar a “lei dos 10%”, utilizada na Alemanha. Em um teste preliminar com 200 mil crianças, 20 mil saem para uma análise mais específica. Daí, 2 mil prosseguem para as escolinhas de esporte, dos quais 200 vão para a elite e 20 atingirão o nível olímpico. No Brasil, o vôlei é a modalidade que mais se aproxima deste padrão. Alberto Silva, técnico de natação do Pinheiros e da seleção brasileira, ainda sonha, assim como o presidente da Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, com a ‘cidade da natação’, mas comemora o fato de a modalidade já conseguir manter boa parte de seus melhores atletas no País, como por exemplo Thiago Pereira, que cai na água seis vezes por semana para nadar 220 quilômetros por mês, em fase de treinamento duro. “Já temos um caminho a seguir. Tecnicamente, a natação brasileira está no mesmo nível das grandes potências. Desde Atenas, em 2004, que a maioria dos nadadores não precisou ir treinar no exterior para obter resultados.” Cesar Cielo, que ao lado de Thiago carrega tiveram as melhores chances de medalha para o Brasil na China, e que conquistou a sua medalha, ainda treina nos EUA.
ACASO
“A maioria dos nossos superatletas no atletismo surge graças ao acaso”, afirmou Nélio Moura, técnico de vários atletas, como Maurren Maggi, Keila Costa e o panamenho “abrasileirado” Irving Saladino, campeão mundial do salto em distância. Nélio se refere a exemplos como o de Claudinei Quirino, que dez anos antes de ganhar a medalha de prata com o revezamento 4x100 na Olimpíada de Sydney, em 2000, trabalhava como frentista. Ou de Jadel Gregório, foi um grande candidato a subir ao pódio de Pequim no salto triplo, mas infelizmente não conseguiu sua medalha e que, apesar do forte porte físico, iniciou no atletismo no salto em altura, modalidade que exige atletas mais longilíneos.
Mas a partir de 2009, o atletismo brasileiro terá sua ‘cidade’. Será construído em Bragança Paulista o Centro de Treinamento de Alto Nível da IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo) na América do Sul. O projeto do arquiteto Celso Greon inclui, ainda, pista de aquecimento coberta, área específica de treinamento para lançamentos, salas de musculação e piscina, entre outras instalações. “Este complexo esportivo será tão bom quanto os melhores já existentes em países como Itália, Espanha, Finlândia e Austrália”, diz Roberto Gesta de Melo, presidente da Confederação Brasileira de Atletismo.
As virtudes mais importantes:
Atitude
Coragem
Perseverança
Compromisso
Disciplina
Organização
Planejamento
Auto-estima
Alegria
Flexibilidade
Resistência à dor física e
psicológica
Capacidade de recuperação
Autocontrole
Humildade
Ética
Lealdade
Fair-play
Capacidade de lidar
com público e imprensa
Ter metas
As falhas mais comuns:
Falta de disciplina
Falta de concentração
Erro na dosagem na quantidade de treinamento
Falta de avaliações periódicas
Confiar demais no técnico
Acomodação
Falta de motivação
Pressa por resultados
Impaciência
Cobranças por erros cometidos no passado
Falta de boa administração do tempo
Falta de lazer
(Estado.com)
- Postado por: Pricy às 01h51
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